A esperança dos trinta

As festas de fim de ano me trazem uma sensação muito ambígua. Eu fico muito alegre por que é uma época que gosto muito e, ao mesmo tempo, me trás angustia, pois nasce em mim uma esperança de renovação que na verdade é só mais um dia após ao outro. Estamos em janeiro, e daqui a exatos 79 dias eu completo 30 anos. E quando paro pra pensar nisso, simplesmente entro em colapso.
Vou fazer um breve relato sobre minha trajetória: quando sai do ensino médio, já estava cursando um curso técnico no SENAI de vestuário e iniciei a faculdade tecnóloga em moda. Na época eu estava tão feliz, tinha muitos planos e sonhos pra quando terminasse a faculdade. Sonhava em abrir uma camisaria, produzir todos os tipos de camisa, seja pra venda no varejo, quanto atacado, com produção de moda e de fardamento. Minha mãe e minha tia tinham uma empresa de bordados eletrônicos, elas bordavam todo tipo de peça, seja camisas, toalhas, jalecos, lençóis e etc. Pensava em oferecer o serviço também na minha camisaria e seria um negócio de família.
Quando terminei a faculdade e o curso, ao invés de procurar emprego na minha área, elas estavam precisando de ajuda na loja e o orçamento estava baixo, então eu fui trabalhar com elas. Estar ali virou cômodo pra mim, pois eu trabalhava, tinhas as coisas, não ganhava um salário, mas não precisava me preocupar. Depois de um tempo mudamos de loja, fomos para um ponto comercial movimentado da minha cidade. As coisas financeiramente não iam bem, fiquei sete anos trabalhando em algo que não era meu. Eu não tinha tempo pra sair, não me encontrava com minhas amigas, não fui fazer outra faculdade, nem mesmo um curso de especialização, só vivia pro trabalho, por vezes de domingo a domingo. Em 2021, finalmente tomei a iniciativa de fazer o ENEM pra conseguir alguma bolsa na faculdade pra poder cursar psicologia, com o intuito de finalmente construir a minha vida.
Eu não vou completar 30 anos do jeito que eu imaginei quando sai do ensino médio. Me sinto grata por estar viva e ter algumas oportunidades, mas eu constantemente me sinto fracassada. Não alcancei nada do que sonhei, estou endividada, não tenho nada de útil pra compor meu currículo, tudo isso porque vivi afundada no sonho de outra pessoa. Quando olho pra trás não sinto nenhum orgulho dessa caminhada. E eu não estou atribuindo a culpa a outra pessoa. Atribuo a mim mesma por ter me acomodado, por não ter tido coragem. Estou chegando nos 30 anos correndo atrás de um prejuízo severo ao qual eu mesma me coloquei, mas ainda assim deixando brilhar dentro de mim a esperança da renovação que nasce no meu peito todo fim/começo de ano, de algo novo acontecer e esse ser o ano da minha virada de chave de uma vida que vivo, mas não foi do jeito que sonhei.

"Quero uma fermata que possa fazer agora o tempo me obedecer, e só então, eu deixo os medos e armas pra trás." Temporal - Pitty

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