Último ano na casa dos vinte.

Hoje é o meu aniversário, estou completando 29 anos de vida e estou cheia de reflexões permeando a minha cabeça. Os meus 22 anos foi a última vez que comemorei fazendo festa, com bolo, doces e convidados. Depois disso era só pizzaria ou então um bolo em família ou nada. Só que desde pequena que sempre que se aproximava a minha data, sempre fiquei extremamente feliz e animada de comemorar. E isso morreu conforme fui ficando mais velha. A questão que me pega nisso é que eu não me lembro quando foi que fiquei desanimada de comemorar aniversário. Se pudesse, justo nesse dia eu sumiria.

O meu pai sempre me fez sentir-me especial no dia do meu nascimento. Ele fazia questão de sempre comemorar meu aniversário e o da minha irmã. Não podia passar em branco. Ele fez pra mim uma surpresa de 15 anos. Nos meus 18 anos, foi comemorado no rodizio, convidei meus amigos e quem pagou foi o meu pai. E sempre que não tivesse festa, ele me levava na pizzaria e comemorava nem que fosse só eu e ele. Meu pai se foi em 2021, mas mesmo na pandemia não podendo nos encontrar, ele mandava o dinheiro pra que eu comprasse uma pizza pra não passar o aniversário em branco. Desde que ele se foi, pra mim é muito difícil de comemorar. Minha relação com meu pai não era a das melhores, ele foi semi-presente, nossa relação só foi melhorar já no final da minha adolescência/fase adulta, mas o empenho dele ao comemorar o meu dia era tanto que parecia que ele estava compensando as faltas dele na minha vida. E hoje não o tendo mais por perto percebo o quanto ele fazia me sentir especial, era a forma dele de dizer que me amava. A minha mãe também faz isso. Hoje ela fez um bolo lindo e delicioso do jeitinho que queria que ficasse.

Tenho me esforçado para estar animada neste dia. Hoje em dia tenho poucos amigos e pouquíssimos deles lembram dessa data. Eu sou do tipo de amiga que lembra da data de aniversário de todos que amo e não vou mentir que gosta da reciprocidade. E talvez esse seja também um ponto ao qual não sinto vontade de comemorar. O fato de me sentir esquecida por aqueles que criei vínculos. Por medo de ser esquecida por não ser considerada como considero. Não gosto do conceito de fazer pelo mesmo que fazem por mim, mas até onde vai a consideração? E ela vale a pena ser cobrada? 

O que mais peço a Deus nas minhas orações é criar vínculos verdadeiros, ter com quem contar, não estar rodeada de pessoas e me sentir só, desencaixada, distante. Ter amizades que combinem, as quais eu possa cuidar, amar, aconselhar, repreender e saber que quando eu precisar elas farão o mesmo por mim. Me sentir amada e especial. E eu não estou falando de amor familiar, pois isso eu tenho. Sou grata pela minha família e por tudo que fazem por mim, mas nem sempre eles são o suficientes. Eu espero que a casa dos trinta me tragam almas com essa mesma necessidade. E que nos encontremos.

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