Ultimos Instantes
Eu lutei muito para me convencer de que aquela era a hora de
te dizer tudo aquilo que travava dentro de mim. Colocar para fora tudo que me
trancava o riso, tudo que me impedia de seguir em frente. Um sentimento
amarrotado que eu sentia e que precisava com urgência ser exposto antes que
explodisse.
Eu rodei, fui de um lado para o outro, sem saber o que exatamente
falar, me deixando muito mais amedrontada do que eu já estava. Como sempre,
antes de dizer um “ai” a você, eu procurava nas minhas caraminholas uma forma
correta de te dizer. E eu, direta do jeito que sou não sabia como falar, ou no
caso me despedir de verdade de você.
Eu tentei abrir meu coração e não conseguir, e nos últimos
instantes em que não havia mais jeito, eu sabia que tinha que deixar esse
sentimento ir embora, porque ele não tinha mais graça de ficar do jeito que
estava. Ali, tomando espaço do meu pequeno-problemático coração.
Foi quando, sem saber ainda o que dizer, nos últimos
instantes daquele momento acabar, no meio de tantos abraços inesgotáveis,
cheios de amor, de tristezas e alegrias. Abraços cheios de lembranças de quase
metade de uma vida, em que eu decidir ir até você. E sentir como te abraçar de
novo foi bom. E sem olhar nos seus olhos para não chorar, eu finalmente abri o
meu coração e deixei que esse sentimento voltasse de onde ele veio. No fundo eu
sabia que naquele dia, naquela hora, naquele instante, era o momento certo de
te dizer tudo que você já deveria saber. Por que eu continuaria a te ver só de
longe, mas sabia que aquela era a ultima vez que nossos corações se
encontrariam outra vez.
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